Tem vezes em que a vida parece desbotada, sem cor, esgotada em si mesma. O esforço é grande demais, nestas condições, de carregá-la, ou de suportá-la.
A vida, definitivamente, não deveria ser um fardo.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Check-in
Levem as roupas, os livros, os cachecóis. Não esqueçam dos discos, dos lápis e das canetas, pois hão de aquarelar muitos mundos pelas praças gaulesas. Não esqueçam dos sons, dos gritos e da algazarra das crianças soltas a brincarem no pátio. Tampouco deixem de levar os cuidados e lágrimas maternas, as orientações e conselhos paternos. Mas, sobretudo, não esqueçam de levar a saudade, a distância entre um abraço e outro, os suspiros nostálgicos e as coronárias despedaçadas pela breve [que assim seja] ausência de vocês.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Primeira pessoa do plural
"Quando o choro finalmente chega,
descubro uma afirmação que estava indecisa em mim."
[Ela]
"Eu, hoje, respiro o mundo,
longe dessa cidade..."
[Ele]
"No choro afirmativo, o mundo a ser aspirado, longe daqui."
[Eu]
descubro uma afirmação que estava indecisa em mim."
[Ela]
"Eu, hoje, respiro o mundo,
longe dessa cidade..."
[Ele]
"No choro afirmativo, o mundo a ser aspirado, longe daqui."
[Eu]
Au revoir
Dos tantos adeus, este, duplo em sua existência, será um daqueles de difícil consumação. Talvez a lágrima escorrida seja mais fidedigna ao momento, se comparada ao movimento do braço em sua pífia tentativa de aceno.
sábado, 3 de janeiro de 2009
O fundo
A escuridão é o que menos assombra. Na pele, mais do que o cheiro incrustado, o frio gelado. O limo é denso, viscoso. Escorregadias são sua paredes, ásperas suas bordas. Sua umidade é verde-musgo. Uma vez dentro, difícil de sair. Acostumados ficamos com sua esfera pegajosa, seu lodo grudento, seu odor fétido. Pertence à ordem "das coisas que não têm depois."
Mais do mesmo
Lá estava ela. Sorridente, como jamais a tinha visto antes, deslizava por entre os presentes convidados. Provocante e sensual, flertava com todos, independente de sexo, raça ou crença. Esguia e intensa, convidava a todos a dançar conforme seu ritmo, pouco se importando com o que dela poderiam pensar ou falar.
Todos, sem exceção, gostariam de ardentemente naquela noite tê-la de qualquer maneira. Queriam poder ver realizados seus mais recônditos e lascivos desejos no doce envolvimento com ela. Mas como já sabiam que seria muito difícil conquistá-la naquela festa, preferiram, literalmente, saciar sua sede voluptosa e carnal em copos de diversas bebidas. Não que o acesso até ela fosse da ordem do impossível - era, ao contrário disso, de fácil acessibilidade. Ocorre que o brilho dos seus olhos, a tenrricidade de sua pele e a liberdade de seu corpo a tornavam única naquela noite, vivendo na eloquência do instante toda uma vida. O momento era dela, somente dela, e ninguém poderia apagar o intenso brilho que de suas entranhas radiavam.
Acontece que eu a queria. E ela ao notar minha ansiedade se fez fugaz. Foi então que diante de minha incredibilidade sôfrega, passou a zombar de mim. Eu, como ninguém mais ali, desejava arrancá-la daquela festa e num abraço único tomá-la em meus braços e apertá-la contra o meu amargurado peito e amá-la ardentemente como se não restasse mais nada a fazer nesta vida.
Ela, essa maldita menina libidinosa, foi quem, naquela noite, crivou meu caos, pincelou de lilás-alaranjado meu anêmico pôr-do-sol, pôs gérberas em meu vaso vazio, aquarelou meus cinzentos dias, despiu-me avassaladoramente de meus princípios e preceitos morais para, em seguida, dizer-me adeus.
Ela, por quem tantas vezes ardi de desejo, por quem tantas vezes perambulei noites sem dormir, por quem tantas vezes acordei de madrugada molhado de suor e de devaneios imensuráveis, por quem tantas vezes fez minha vida parecer interessante, enclasurou-se num álbum verde de formatura. E toda vez que consigo, dolorosamente, abrir este álbum verde sinto o seu cheiro e a nostálgica lembrança daquela noite, quando ela, a minha felicidade, beijou-me suavemente os lábios, tornando-me vivo com sua presença, antes de, para sempre, partir.
Todos, sem exceção, gostariam de ardentemente naquela noite tê-la de qualquer maneira. Queriam poder ver realizados seus mais recônditos e lascivos desejos no doce envolvimento com ela. Mas como já sabiam que seria muito difícil conquistá-la naquela festa, preferiram, literalmente, saciar sua sede voluptosa e carnal em copos de diversas bebidas. Não que o acesso até ela fosse da ordem do impossível - era, ao contrário disso, de fácil acessibilidade. Ocorre que o brilho dos seus olhos, a tenrricidade de sua pele e a liberdade de seu corpo a tornavam única naquela noite, vivendo na eloquência do instante toda uma vida. O momento era dela, somente dela, e ninguém poderia apagar o intenso brilho que de suas entranhas radiavam.
Acontece que eu a queria. E ela ao notar minha ansiedade se fez fugaz. Foi então que diante de minha incredibilidade sôfrega, passou a zombar de mim. Eu, como ninguém mais ali, desejava arrancá-la daquela festa e num abraço único tomá-la em meus braços e apertá-la contra o meu amargurado peito e amá-la ardentemente como se não restasse mais nada a fazer nesta vida.
Ela, essa maldita menina libidinosa, foi quem, naquela noite, crivou meu caos, pincelou de lilás-alaranjado meu anêmico pôr-do-sol, pôs gérberas em meu vaso vazio, aquarelou meus cinzentos dias, despiu-me avassaladoramente de meus princípios e preceitos morais para, em seguida, dizer-me adeus.
Ela, por quem tantas vezes ardi de desejo, por quem tantas vezes perambulei noites sem dormir, por quem tantas vezes acordei de madrugada molhado de suor e de devaneios imensuráveis, por quem tantas vezes fez minha vida parecer interessante, enclasurou-se num álbum verde de formatura. E toda vez que consigo, dolorosamente, abrir este álbum verde sinto o seu cheiro e a nostálgica lembrança daquela noite, quando ela, a minha felicidade, beijou-me suavemente os lábios, tornando-me vivo com sua presença, antes de, para sempre, partir.
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